Brilhamos corretamente no lugar que nos é dado
Às vezes, com boas intenções, tentamos fazer muitas coisas sozinhos. Mas alguns trabalhos podem ser realizados melhor por alguém que os pratique há muito tempo. Nesses momentos, em vez de nos forçarmos a realizar todas as tarefas, pode ser mais sensato fazer o trabalho que nos cabe com mais sinceridade e respeitar e apoiar o trabalho dos outros.
Podemos aprender esse coração observando as pessoas que vendem produtos no mercado. Alguém passa o dia inteiro oferecendo coisas e alimentos feitos pelas próprias mãos, e outro recebe e ajuda a vida a continuar. O vendedor faz o seu trabalho com cuidado e o comprador reconhece esse esforço e recebe o que precisa. Quando respeitamos o lugar um do outro, mesmo uma pequena troca se torna ajuda e gratidão.
O mesmo acontece com os praticantes. Um praticante é mais adequado quando a mente está concentrada na prática, no estudo e na oração. É claro que o desejo de ajudar em outros trabalhos é precioso, mas se perdermos o estudo original e nos forçarmos a realizar trabalhos aos quais não estamos acostumados, muita energia poderá ser gasta enquanto o resultado não se aprofunda. Neste momento, voltar as nossas forças para o nosso próprio trabalho e reconhecer e ajudar aqueles que fazem bem esse trabalho é o melhor caminho.
Os ensinamentos do Buda também transmitem esse tipo de imagem. O sol brilha durante o dia e a lua brilha à noite. Um soldado é adequado quando equipado com a aparência e o trabalho de um soldado, e um praticante é adequado quando faz o trabalho de um praticante. Isso não significa nos compararmos com os outros. Significa que cada pessoa deve brilhar corretamente em seu próprio lugar.
Manter o próprio lugar não é se tornar estreito. Pelo contrário, é a maneira como a mente para de se dispersar e ganha força. Quando faço sinceramente o que posso fazer bem e respeito a habilidade e o esforço dos outros, ajudamos uns aos outros a viver. A prática de hoje começa aí.
Cada pessoa tem um lugar que lhe é atribuído e um trabalho que pode realizar bem. Se tentarmos nos forçar a fazer tudo diretamente, nossas forças se dispersarão e o resultado será difícil de aprofundar. Quando fazemos o trabalho que é nosso com sinceridade e respeitamos e apoiamos o trabalho e a habilidade dos outros, a vida continua em maior harmonia.