Concentre-se em seu próprio trabalho
No Budismo, o carma verbal é o carma criado através da fala. Inclui mais do que mentiras ou palavras duras. Repassar histórias não verificadas, ter prazer em discutir os defeitos de outra pessoa e usar um discurso que divide as pessoas também deixam rastros na mente. As palavras podem parecer desaparecer uma vez ditas, mas primeiro elas colorem os pensamentos e hábitos da pessoa que as repete.
Quando nos concentramos no que outra pessoa fez de certo ou errado, a mente se move facilmente em duas direções. Um é o orgulho que diz que estamos mais corretos. O outro é o apego que insiste que a outra pessoa deve mudar de acordo com os nossos desejos. Ambos obscurecem o que precisa ser feito agora. À medida que aumenta o julgamento dos outros, a raiva, a ansiedade ou o desejo de reconhecimento em nossa própria mente tornam-se mais difíceis de ver.
A prática não é o trabalho de medir a mente de outra pessoa. É o trabalho de perceber os nossos próprios movimentos. Quando o comportamento de alguém o incomoda, observe primeiro o que está acontecendo interiormente antes de acrescentar outra palavra. A responsabilidade de corrigir um problema real é diferente do impulso de falar mal de alguém. Diga o que é necessário com precisão e compaixão, enquanto aprende a interromper o discurso que apenas turva ainda mais a mente.
Imagine alguém empinando uma pipa. Se continuarmos observando a que altura as outras pipas sobem ou para que lado elas se inclinam, o carretel em nossas mãos se desenrola e a linha fica emaranhada. Não podemos endireitar todas as pipas no céu. O que podemos fazer é sentir a tensão na linha que seguramos, afrouxar um nó de cada vez e levantar nossa pipa cuidadosamente de acordo com o vento.
Concentrar-se no seu próprio trabalho não significa afastar-se do mundo ou de outras pessoas. Isso não significa ignorar alguém que precisa de ajuda ou evitar responsabilidades dentro de uma comunidade. Significa primeiro ver claramente a sua própria mente e o seu papel e, em seguida, usar a sua força com sabedoria onde ela for realmente necessária. Uma pessoa que cumpre fielmente a sua parte tem menos motivos para julgar a vida de outra pessoa ou perder tempo com discursos desnecessários.
Quando surgir o desejo de mudar outra pessoa, volte seu olhar para dentro por um momento. Antes de contar suas falhas, veja um hábito seu que precisa de correção. Antes de falar sobre seus assuntos, conclua uma tarefa que está diante de você agora. À medida que você se torna fiel à sua própria prática, o julgamento começa a se transformar em sabedoria e a comoção em paz.
Quando nos concentramos nas falhas de outra pessoa, perdemos de vista a mente que precisamos examinar. Fale o que é necessário com precisão e compaixão, mas evite julgamentos desnecessários. Em vez de tentar mudar outra pessoa, observe sua própria mente e faça cuidadosamente o trabalho que está diante de você.